sexta-feira, 26 de maio de 2017

Médica de Campinas alerta sobre os riscos da ingestão de produtos cáusticos na infância e a importância da prevenção em casa

Jornada de Gastroenterologia Pediátrica e Trauma do IG&T 2017 reuniu grande público
O número de ingestão de produtos cáusticos e objetos corrosivos, como pilhas e baterias, na infância é crescente no Brasil. Os casos que chegam às urgências e emergências dos hospitais e postos de saúde indicam que o problema dos cáusticos não regride e há um aumento no número de ingestão de pilhas e baterias. Os casos atingem todos os níveis sociais e o assunto foi discutido na Jornada de Gastroenterologia Pediátrica e Trauma durante a Conferência Gastro & Trauma, realizada em Campinas na última semana.

Segundo a gastroenterologista, pediatra e endoscopista de Campinas, dra Silvia Regina Cardoso, o maior número de corpos estranhos engolidos pelas crianças diz respeito aos objetos, mas a preocupação maior, devido ao grau grave de lesões provocadas são as pilhas, baterias e produtos cáusticos, muitas vezes comprados em caminhões nas casas, com concentrações cáusticas acima do permitido por lei. “O que falta são políticas públicas, leis efetivas de segurança no manuseio dos produtos e investir na prevenção. Os pais devem ficar atentos”, garante.


De acordo com a especialista, a maioria dos acidentes cáusticos, por ingestão de produtos, acontece em casa e, de 10 a 20% das crianças que fizeram a ingestão desses tipos de produtos vão ter lesões do esôfago, obtendo sequelas irreversíveis. Destas, de 10 a 20% dos casos vai evoluir para estenose esofágica, sendo responsável pela maioria de casos da doença no Brasil. “Os phs muito ácidos dos produtos líquidos penetram em todas as camadas, especialmente no esôfago e a doença da infância pode se tornar crônica para sempre. Há controle e tratamentos, mas sempre haverá sequelas para o paciente”, alerta.
Os problemas, ao longo prazo, incluem diversas cirurgias ao longo da vida para abrir o canal do esôfago, entre outros. “Os produtos cáusticos, especialmente aqueles vendidos em garrafão, nas ruas, se ingeridos, machucam tanto que tem criança que passa a ter que se alimentar com sonda na barriga e passa por cirurgias a cada 15 dias”.

A endoscopista diz que os médicos estão assustados com o número de baterias e pilhas recentemente ingeridas pelas crianças. “A gente está assustado com o número de bateriais ingeridas. Nesses casos, além de provocar lesões graves, fica provocando como que uma queimadura elétrica dentro do estômago, podendo perfurar e até levar à óbito”.
Para dra. Silvia, a falta de uma lei que obrigue a colocação de lacres de segurança para a comercialização dos produtos cáusticos, existente nos Estados Unidos e outros países mais desenvolvidos desde a década de 70 pode ser responsável por grande número de casos. Mas os pais precisam ficar atentos onde colocam os produtos de limpeza que, facilmente, podem ser confundidos pelas crianças com outros produtos líquidos alimentícios. “As pessoas não investem no que é mais importante, que é na prevenção”. É preciso divulgar para que os pais não comprem produtos de caminhões comercializados clandestinamente, sem controle ou supervisão, porque são mais fortes e o estrago pode ser maior.
A especialista dá um último recado: "Apesar dos tratamentos e de as pessoas conseguirem controlar o problema, ele perdura pelo resto da vida. Eu mesma mostrei um caso aqui de um senhor em que o problema da infância se manifestou aos 52 anos de idade. Portanto, o melhor tratamento mesmo é a prevenção".

Pancreatite aguda
O aumento no número de casos de pancreatite aguda recorrente entre crianças no Brasil também têm preocupado várias especialidades médicas. Um grupo foi formado e criado uma espécie de protocolo de ações que diz respeito aos tratamentos e a detecção da doença, inclusive no caso de pancreatite hereditária ou precoce. Este último corresponde a 6% dos casos.


Para a especialista e palestrante dr Marise Helena Cardoso Tofoli, o número crescente das publicações acerca deste tema triplicou no ano passado por haver um aumento da incidência da doença aguda. Há também os casos das pancreatites hereditárias. “A doença gera dano muscular, ocasionando hemorragias. Há situações em que se desenvolvem dificuldades respiratórias ou pneumonias, choques, entre outros sintomas. O uso de álcool, medicação e vírus podem ativá-la”.

Participantes da V Jornada de Gastroenterologia Pediátrica e Trauma

Confira mais momentos da Jornada:
 








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